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25/07/2010

Pernambuco quer se firmar como cluster de produção de equipamentos eólicos no país

Nordeste em busca das pás

O Nordeste está concentrando os novos projetos de geração eólica do país. No primeiro leilão de compra de energia de reserva voltado exclusivamente para essa fonte, em dezembro passado, a região ficou com 63 dos 71 projetos aprovados. No próximo leilão, que acontece em 19 de agosto, não será diferente. Dos 399 projetos habilitados, 312 estão no Nordeste. De olho nesses projetos, estão se instalando na região vários fabricantes de equipamentos eólicos, da torre à nacele - onde ficam os geradores. Faltam as pás. Hoje essa é uma das grandes carências de fornecimento no Brasil, pois só existe um fabricante, localizado em São Paulo. Pernambuco, que quer se firmar como um cluster de equipamentos eólicos, já negocia com três empresas. De toda a cadeia eólica, essa é a que mais emprega. Apenas uma indústria é capaz de gerar 400 empregos diretos. O investimento em uma unidade é da ordem de R$ 40 milhões.

 

Cerca de 70% do valor investido nas centrais eólicas são com equipamentos. E desse total, 25% corresponde à aquisição de pás. "A pá é o elemento de maior conteúdo tecnológico de um aerogerador", comenta Everaldo Feitosa, diretor da Eólica Tecnologia. Essa empresa pernambucana acaba de montar três parques eólicos no estado, com 15 turbinas, e está implementando outros 92 aerogeradores no Rio Grande Norte. "Todas as pás foram importadas da fábrica da Vestas na Índia", comenta Feitosa.

 

Considerando que uma pá pode medir 80 metros, o equivalente a um edifício de 30 andares, dá para imaginar o custo logístico. Logo, ter fabricantes instalados na região é fundamental para baratear os projetos. "Com a política dos leilões, onde vence quem tem o menor preço, o mercado de eólica está muito competitivo. Adquirir equipamentos mais próximos de onde serão instalados esses parques ajuda a reduzir o preço da energia", comenta Pedro Cavalcanti, diretor de negócios eólicos da Ecopart. E por que não produzir pás eólicas em Pernambuco? Esse é o último elo que falta para fechar a cadeia eólica no estado, segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), Jenner Guimarães.

 

O estado quer se firmar como o maior cluster eólico do país. Já reúne ensino técnico e superior voltado para a cadeia, empresas especializadas na implantação de parques eólicos e, nos últimos dois anos, conquistou a instalação de dois importantes fabricantes de equipamentos: as torres da RM Eólica, do grupo espanhol Gonvarri, e a indústria de aerogeradores argentina Impsa. "Já estamos negociando com três fabricantes de pás", adianta Sidnei Aires, vice-presidente de Suape.

 

O investimento na planta é de R$ 40 milhões, ocupando em média 20 hectares. A geração de empregos é o mais interessante: em torno de 400 vagas diretas, segundo Jenner Guimarães. A fabricação de uma pá se assemelha muito a de uma prancha de surf. "Demanda muitos procedimentos de forma artesanal, como pintura, acabamento e polimento. Só que em grande escala. Por isso que é o segmento que mais emprega na cadeia eólica", explica Pedro Cavalcanti.

 

Fonte: Diário de Pernambuco

25/07/2010





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